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Bispo de Barretos emite nota sobre 'banheiros trans' nas escolas públicas do Estado

O bispo diocesano Dom Milton Kenan Júnior, de Barretos, que responde pela paróquia de Cajobi, inclusive, emitiu nesta quarta-feira (20) ‘NOTA DIOCESANA A RESPEITO DA AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A IDENTIDADE DE GÊNERO’, em resposta ao convite feito pela Câmara Municipal daquela cidade em tratar de decisão estadual sobre banheiros em escolas públicas ‘de acordo com o gênero’.

Conforme anuncia o site oficial da secretaria de educação, “todos os alunos devem usar o banheiro de acordo com o gênero que se reconhecem. As escolas devem seguir a lei estadual nº 10.948, que versa sobre discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero. Direito garantido aos alunos paulistas, já chega a 365 o número de estudantes que usam o nome social.“

Na opinião de especialistas, além de desrespeitar a liberdade das crianças em usar o banheiro de acordo com seu sexo, expondo jovens à constrangimentos ímpares, o governador paulista entra em choque não apenas com seus pais, mas também com a Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) , a qual o Brasil é signatário.

O art. 12 da CADH diz o seguinte: “Os pais têm direito a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.”


A íntegra da nota do bispo diocesano é a seguinte:

“Nesta última semana, a comunidade católica barretense viu-se surpreendida com o convite para a Audiência Pública, promovida pela Câmara Municipal de Barretos, para tratar da decisão do Governo do Estado de São Paulo que instituiu nas Escolas Públicas da Rede Estadual de Ensino o uso dos banheiros por alunos de acordo com o seu “gênero”.

“Compreendemos, antes de tudo, que a Câmara Municipal de Barretos cumpre o seu dever de realizar este evento para ouvir autoridades, associações de bairros, representantes de classes e cidadãos em geral a respeito de um tema tão importante e tão controverso.

“Entretanto, causa preocupação o fato do Estado brasileiro num momento de tanta fragilidade política e social, insistir por implantar nas escolas públicas ações que não erradicam a discriminação ou o preconceito (no caso dos homossexuais, discentes travestis e transexuais), mas corroboram com a falência da instituição familiar e a devastação de valores que promovem a família e a dignidade da vida humana.

“No Documento Orientador da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB), publicado em novembro de 2015, que trata do “Tratamento Nominal de Discentes Travestis e Transexuais” são preconizadas ações que visam implantar no Programa Estadual de Educação, a “ideologia de gênero” compreendida como nova filosofia da sexualidade; nela, o sexo não é considerado como um dado originário na natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas como uma função social que cada qual decide autonomamente.

“Na compreensão cristã da pessoa humana – que coincide com a abordagem científica – a realidade sexual está em íntima relação com o corpo humano. Por isso, admitir a sexualidade como “construção social” é relativizar o que há de mais sublime na existência, ou seja, a maternidade, a família, a religião, a ética, a tradição, os valores culturais.

“Reduzir o tratamento da “identidade sexual” a um conjunto de medidas sem considerar as implicações na vida pessoal, social e comunitária dos indivíduos e, sem ouvir todos os interessados como as famílias, os educadores, as igrejas e os que estão mais próximos da formação das novas gerações soa como uma atitude arbitrária.

“Deixo aqui, partindo da premissa que a vida social se aperfeiçoa com a liberdade de expressão e o debate amplo e democrático das ideias, o apelo que aqueles que haverão de decidir sobre a viabilidade desse tema guiem-se pelo amor ao Bem Comum e a busca da verdade.

Interrogado sobre o divórcio, Jesus respondera: “Desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Mc 10,6).


Repudiando toda discriminação e preconceito, a intolerância e a violência que sofrem irmãos e irmãs nossos, em razão da sua atividade sexual, cremos que a superação dos traumas não ocorre quando negamos as diferenças, mas quando as respeitando, colaboramos com uma sociedade onde cada um e cada uma sejam ajudados a corresponder o mais fielmente possível ao desígnio divino.

Atenciosamente,

Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos
Barretos, 20 de setembro de 2017.

Com informações do site Diário de Olímpia.
Jean Morelli

Apaixonado por notícias, filmes e séries. Sou blogueiro desde 2011, amante do jornalismo, flamenguista de coração e cajobiense desde sempre.

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