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Falta de material afeta tratamentos no Hospital de Câncer de Barretos

Falta de material afeta tratamentos no Hospital de Câncer de Barretos
Pacientes atendidos pelo Hospital de Câncer de Barretos (SP) tiveram seus tratamentos temporariamente suspensos esta semana devido à falta de três produtos essenciais para a realização dos exames médicos que são fornecidos pelo governo federal. O problema deixa na espera e prejudica a rotina de pessoas que lutam contra câncer de tireoide e do tipo linfoma.

Segundo o coordenador do serviço de medicina nuclear da instituição, Marcelo José dos Santos, os materiais deixaram de ser distribuídos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) por falta de pagamento à empresa fabricante, que é do Canadá.

O Ministério da Saúde, por sua vez, informou que os repasses ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), responsável pelos pagamentos, estão regulares e que o abastecimento dos radiofármacos deve ser normalizado até quinta-feira (11).

Substâncias em falta

Santos explica que estão em falta três substâncias - Iodo 131, Gálio 67 e Tálio 201. Estas são usadas para diagnosticar tumores e ramificações do câncer de tireoide e do sistema linfático, exames que permitem aos médicos avaliar doenças e indicar os tratamentos adequados.

Como têm curto prazo de validade, os materiais geralmente são solicitados ao Ipen conforme a demanda do hospital por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que arca com os custos dos produtos e procedimentos médicos.

Entretanto, de acordo com o coordenador da medicina nuclear, houve corte no fornecimento devido à falta de pagamento do Ministério da Saúde à empresa canadense que produz os radiofármacos. “Disseram que haverá uma normalização em breve, mas não temos confirmação oficial. Ainda assim estamos prevendo que muito em breve voltaremos a ter problemas desse tipo”, disse o coordenador.

Segundo ele, até esta terça-feira (9) 11 pacientes que seriam internados para tratamento com iodo radioativo foram liberados e outros 16 não puderam fazer exames específicos devido à falta dos materiais. “A nossa preocupação é que estamos perdendo o momento ideal de se fazer esse tratamento.”

Ele explicou que esses pacientes precisam se preparar por cerca de um mês antes de iniciar os tratamentos e que, na ausência dos procedimentos necessários, precisam recomeçar do zero.

“O preparo inclui a suspensão de hormônios e as pessoas começam a ter toda a repercussão da falta do hormônio no organismo, que é condição para receber o iodo. O fato de não terem passado pelo tratamento vai implicar em novamente terem que suspender a medicação e fazerem de novo todo esse preparo”, afirmou.

Santos reclamou ainda que o problema em relação às substâncias não acontece pela primeira vez e que a verba destinada pelo governo à compra desses produtos não acompanha os reajustes de preço que eles vêm sofrendo.

“Eles já acumulam um aumento de 44% e, no dia 1º de julho, nós teremos mais um reajuste de 22%. Enquanto isso, a tabela SUS, que repassa a verba para esses exames e tratamentos, é a mesma desde 2009. Então é preocupante”, afirmou.

'Descaso'

Para a dona de casa Vanusa Teixeira Gandra, que faz tratamento no Hospital de Câncer há quatro anos, a situação é um sinal de descaso. Embora já tenha feito transplante de medula óssea, ela ainda precisa passar por exames de cintilografia, que precisam do Gálio 67, mas foi impedida pela falta do material.

“Você vem com tanta ansiedade, porque são exames essenciais para saber o estágio da doença. Chegar aqui e não poder fazer o exame porque os medicamente não chegaram por falta de pagamento é decepcionante”, ressaltou.

Após ser dispensada sem os resultados que esperava, ela contou também que não foi informada de quando poderá fazer o exame. “Agora tem que esperar para remarcar quando os medicamentos chegarem."
Para a médica Ana Cherem, a situação é uma falta de respeito com os pacientes e até com os profissionais do hospital. “Desespero é a palavra que resume o que a gente vê aqui dentro. Tudo que a gente jura que vai fazer pelo paciente a gente não consegue, porque a gente precisa de material que não chega. Isso é uma falta de respeito, até com a gente”, disse.

G1

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