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Catanduva decreta estado de epidemia de dengue

Decreto foi assinado pelo prefeito Geraldo Vinholi ontem

Catanduva decreta estado de epidemia de dengue
Catanduva vive uma epidemia de dengue. O prefeito Geraldo Vinholi assinou ontem decreto municipal que declara Catanduva em estado epidêmico de dengue.

Para ser considerada epidemia, a doença precisa ultrapassar 333 casos para cada 100 mil habitantes, o que caracteriza o estado epidêmico conforme preconiza o Ministério Saúde.  

No decreto, Vinholi afirma: “Considerando a migração populacional entre territórios com surto epidêmicos, considerando as condições climáticas propícias para a infestação da doença e o índice elevado da doença, decreto estado epidêmico de dengue. 

Conforme a prefeitura, até ontem tinham sido confirmados 429 casos da doença, dados referentes ao ano passado até ontem (12 de janeiro).

VÍTIMAS

Apesar dos números oficiais da dengue em Catanduva ainda não parecer tão alarmante, a quantidade de pessoas que compareceram aos hospitais, clínicas particulares e atendimentos do Sistema Único de Saúde crescem uma com proporção acima do considerado normal. 

A auxiliar de escritório Alessandra Fatorelli teve um exemplo dentro de casa. O filho, de oito anos, sentiu os sintomas da doença e ela o levou ao Hospital Padre Albino. “Na segunda-feira, meu filho começou a passar mal. Sentia dores no corpo e estava com uma febre muito alta. Três dias de febre de 40 graus”, disse. 

Segundo a mãe de Gabriel Fatorelli, no hospital foi feito a sorologia e recebeu a confirmação: o menino está com dengue. Uma semana depois, o garoto ainda sofre as conseqüências da picada do mosquito. “Ainda coça. A dor no corpo parou, mas ainda não me sinto muito bem”, afirmou. 

A reportagem de O Regional acompanhou o vereador José Alfredo Luiz Jorge (PMDB) em uma visita a pessoas que tiveram a doença. Somente na rua Maceió, no São Francisco, pelo menos dez pessoas foram picadas pelo Aedes Aegypti. Na casa da aposentada Tereza Claudete Ferreira, ela e mais dois filhos tiveram dengue. “É muito ruim. Apesar de fazer mais de uma semana ainda me sinto mal. Fica aquela sensação de cansaço, de corpo ruim”. 

A aposentada começou a sentir os sintomas na segunda-feira da semana passada. “Comecei a sentir uma dor insuportável no corpo e fui até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No mesmo dia eles já confirmaram que era dengue. Comecei a fazer repouso. Depois de mim, meus dois filhos também pegaram. Ainda bem que minha nora e as duas crianças não foram picadas”, relatou. 

Na vizinha da frente, a situação é bem parecida. Moradora de São Paulo, Cláudia Chiarelli, veio para Catanduva no ano passado porque estava grávida e passaria o tempo da gestação e parto com a mãe. No dia 22 de dezembro, grávida de 37 semanas, passou a sentir os primeiros sintomas. “Me preocupei e fui até o médico. Fiz os exames e foi confirmada que estava com dengue. A médica me disse que a dengue não passaria para a bebê, mas que poderia antecipar o nascimento”, disse. 

A mãe de Cláudia, Sonia Molina Chiarelli também contraiu a doença. E sentiu os sintomas – dor no corpo e nos olhos, febre e dor de cabeça dias depois. “Minha mãe precisou tomar soro, ficou uma semana de cama e ainda não melhorou completamente”, comentou. 

“É uma dor horrível, o corpo parece que não vai se reestabelecer”, disse Sônia. 

Rua Ibirá

Na rua Ibirá, na Vila Mota, mais casos foram registrados. A funcionária pública federal aposentada, Rita de Cássia Ferreira foi uma das vítimas da dengue nesse início do ano. “Começou no dia 2. Fui para o hospital e tudo estava alterado. Fiz exame de sangue em laboratório particular e soube o resultado, eu estou com dengue”.

Na casa dela, o filho também foi picado pelo mosquito contaminado. “Minha irmã, que me ajuda na minha casa também está com dengue. Ela mora na rua Goiás. A vizinha dela, o marido e o filho, todos estão com a doença”, disse.

CASAS FECHADAS

Boa parte dos moradores dos bairros São Francisco e Vila Mota reclamam da quantidade de casas fechadas e que possuem focos do mosquito. Alessandra levou a reportagem de O Regional, equipe da Emcaa e o vereador José Alfredo até uma das casas. O imóvel está com placa de aluga-se por uma imobiliária e tem servido como criadouro do mosquito. “Eu liguei na imobiliária e pedi para que viessem dar uma olhada. A resposta que obtive é de que não tinha tempo para ver”, comentou. A equipe encontrou um ralo no quintal do imóvel com larvas mortas do mosquito. “Estão mortas porque nós jogamos detergente, água sanitária e sal para matar”, disse a moradora. 

No entanto, dentro do imóvel, no vaso sanitário e outros ralos, a Emcaa não conseguiu ter acesso.
Somente no quarteirão entre a Acre, Birigui e Porto Alegre, quatro casas eram mantidas fechadas. Duas delas, a Prefeitura conseguiu derrubar ontem. Depois de muita reclamação dos vizinhos. 

Os imóveis fechados acumulam mato e lixo. Moradores de rua também aproveitam, pulam o muro e dormem nos imóveis, deixando garrafas, copos plásticos e outros objetos que podem acumular água.

LUXO DO LIXO E DEPÓSITO DE PNEUS

Além das casas fechadas outro local é alvo de reclamações sobre focos de dengue. O antigo prédio da Ceagesp, onde funciona o projeto Luxo do Lixo e o depósito de pneus e borracha da prefeitura, segundo moradores, é onde se concentra o maior foco de dengue naquela área. “Eles deixam o alumínio de marmitas, plásticos, garrafas e os pneus, tudo com água acumulada. Uma vergonha, eles mais do que ninguém deveriam tomar cuidado com a proliferação do mosquito”.

JUDICIAL

O vereador José Alfredo Luiz Jorge (PMDB) afirmou ontem que irá solicitar na Justiça para que haja autorização judicial para a entrada de equipes da Saúde e Emcaa nos imóveis que estiverem fechando.

O Regional

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