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Monteazulense faz parte de projeto socioambiental em SP


Monteazulense faz parte de projeto socioambiental em SP


Fábio Blanco é um dos organizadores de fábrica de óculos para pessoas carentes e pacientes do SUS





Alini Fuloni
André de Campos



Uma ideia fantástica que ainda renderá muitos frutos. Com o desafio de lançar um projeto que gerasse impacto socioambiental, um grupo de 10 alunos do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) de São Paulo criou a entidade Renovatio. Entre os gênios voluntários está o monteazulense Fábio Rodas Blanco, 21.


Dentre as atividades da Renovatio está uma fábrica de óculos de grau de baixo custo que são doados para pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social e pacientes do SUS. Este projeto acaba de ser classificado na categoria Universidade Solidária, do Prêmio Santander Universidades. O prêmio de R$ 100 mil será para investir na empresa.


Em entrevista ao jornalista André de Campos, o universitário Fábio Blanco explica detalhadamente o projeto VerBem (OneDollarGlasses) que, desde junho, já produziu 800 óculos. Entre os empregados estão pessoas em vulnerabilidade social, como ex-presidiários, moradores de rua e refugiados. Além da obrigação de trabalharem, todos devem estudar e participar de programas culturais. Aí é que entra a magia da ideia: “A missão é dar uma chance de recomeço, de "renascimento" a pessoas que não tiveram (ou não conseguiram aproveitar) a oportunidade de desenvolver suas faculdades”. Confira.

Como surgiu a iniciativa VerBem e como ela prossegue até hoje? Já é uma empresa constituída? 



Em agosto de 2013, numa atividade dentro do Enactus Insper (organização estudantil), eu e um grupo tivemos que criar um projeto com o objetivo de ter impactos socioambientais positivos. A iniciativa teria que ser autossustentável (como qualquer empresa), porém não tem a finalidade de gerar lucro para nós, os "acionistas" (associados). Todo o superávit gerado (o que seria o "lucro" numa empresa tradicional) é reinvestido no projeto.


Daí surgiu a ideia de darmos oportunidade a pessoas em situação de vulnerabilidade, marginalizadas pela sociedade. Mas não somente oportunidade de emprego, mas de se desenvolverem para, no médio prazo, empoderarem e conseguirem sair da situação em que se encontram hoje: serem inseridos na sociedade. Por fim, a missão é dar uma chance de recomeço, de "renascimento" a pessoas que não tiveram (ou não conseguiram aproveitar) a oportunidade de desenvolver suas faculdades.



Como fazemos isso? Usamos o incentivo financeiro para que eles se desenvolvam: recebem sua renda em função de seus desempenhos no trabalho, nos estudos e em nossos programas culturais. Quem mais se esforça no trabalho, estudos e programa cultural, recebe mais. Simples.



No médio prazo, eles são alfabetizados funcionalmente, concluem os estudos (ensino fundamental e médio), aumentam o leque de conhecimentos através do programa cultural (erudição), fazem cursos profissionalizantes e estão preparados para, de fato, tomarem escolhas conscientes, tomarem as rédeas de suas vidas e entrarem no mercado de trabalho, recebendo melhores salários (graças à qualificação profissional). Assim, quando algum "se forma" no projeto e consegue sair, abre-se vaga para que outro entre.



Daí o nome Renovatio: do latim, significa "renovação", "recomeço". "Renovação" não só na vida dos beneficiados, mas também na forma organizacional: uma organização autossustentável que gera impactos socioambientais positivos. Mas o impacto não para aí. As atividades econômicas de base, nas quais os beneficiados trabalham, e que sustentam o projeto, têm um impacto em si.



A produção de óculos de grau de baixo custo (Projeto VerBem - OneDollarGlasses) é uma delas. Os beneficiados trabalham na produção de óculos, que são doados a quem não pode pagar (pessoas em pobreza extrema) ou vendidos a quem pode pagar R$ 25, valor bem abaixo do de mercado (que é cerca de 100 reais). Empresas ou pessoas interessadas em apoiar o projeto pagam pelos óculos que são doados. A cada R$ 25, um par de óculos é doado a quem não pode pagar.



Fora essa atividade econômica de base, há outra: o Renovóleo, que consiste na coleta de óleo de cozinha usado, que é vendido a quem faz biodiesel. Outros beneficiados trabalham também nessa atividade.
Juridicamente somos uma associação (forma jurídica de ONGs), que funciona, porém, como o que chamamos de "empresa sem fins lucrativos, porém com fins superavitários".





Monteazulense faz parte de projeto socioambiental em SP

Quem faz parte desta empresa? Qual o objetivo dela? 



São 12 pessoas que trabalham voluntariamente todos os dias na gestão do projeto. Fora isso, temos dois professores e três líderes de negócios conselheiros. Nossos objetivos são vários, que giram em torno de um só: melhorar a sociedade da qual fazemos parte. Mais especificamente, hoje: dar oportunidade de desenvolvimento a pessoas marginalizadas; dar acesso a óculos a quem não pode pagar por um; acabar com o problema de visão, relativo a falta de óculos no Brasil.

Qual a média de produção/mês de óculos da empresa? A quem são distribuídos esses óculos? 



Hoje produzimos cerca de 500 óculos por mês. Os óculos são doados a pessoas de comunidades pobres de São Paulo e a pacientes do SUS.

Como foi receber um prêmio de R$ 100 mil? 



Tivemos nosso trabalho reconhecido por uma instituição que têm credibilidade. Isso mostra que estamos fazendo nosso trabalho bem feito, com dedicação e responsabilidade. Confiaram em nosso projeto e, agora, vamos expandir.

Há alguma história marcante por trás do trabalho solidário que vocês prestam (você presenciou algo emocionante)? 



Sim, várias. Há a de um morador de rua (abrigado em albergue) que bebia todos os dias, por não ter emprego, família ou o que fazer. Agora, trabalha, estuda e está lutando contra o vício. Tem também o ribeirinho paraense que trabalha coletando açaí. Por não enxergar, subia nos pés de açaí de até 10 metros para ver se o fruto estava verde ou maduro. Quando estava verde, tinha subido a toa. Descia e perdia tempo. Ele tinha 6 graus de miopia. Agora, com um par de óculos (que doamos), consegue ver de longe, não precisa mais subir no pé de açaí à toa. Ou seja: aumentamos a produtividade dele (produção/hora trabalhada); agora ele produz mais, tem mais renda, melhor qualidade de vida para ele e sua família.

Vocês já distribuíram óculos em Monte Azul Paulista? 



Não, ainda não tivemos a oportunidade.

Qual o futuro da empresa? Farão que tipo de investimentos com o prêmio? 



Agora faremos mais uma fábrica de óculos. Dessa vez será em uma comunidade chamada Vila Nova Esperança. No início de 2015, treinaremos e incluiremos no projeto 6 pessoas dessa comunidade. Ainda, lançaremos, em breve, uma plataforma de crowdselling: qualquer pessoa poderá doar para o projeto, sem sair de casa, ao alcance de um click. A cada R$ 25 doados, um óculos será entregue a quem não pode pagar. Assim, qualquer pessoa pode, de acordo com sua renda, contribuir para acabarmos com o problema de visão do Brasil.



Estamos também trabalhando em negociações com empresas que querem doar lotes de óculos. Iniciaremos a venda direta em comunidades de São Paulo. Depois expandiremos para o Rio de Janeiro e demais estados. Fora isso, faremos doações em comunidades ribeirinhas afastadas. Ainda, estamos desenvolvendo novas atividades econômicas de base, a serem executadas ano que vem.





Matéria publicada na edição de 29 de novembro de 2014, no Informe Blancocitrus, no jornal acidade, de Monte Azul e região.

Jean Morelli

Apaixonado por notícias, filmes e séries. Sou blogueiro desde 2011, amante do jornalismo, flamenguista de coração e cajobiense desde sempre.

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