Cajobi

[Cajobi][list]

Polícia

[Polícia][twocolumns]

Catanduvense é condenada na Bélgica por jogar ácido em crianças

A brasileira Daniela Mancini, de 36 anos, condenada em fevereiro, na Bélgica, por jogar ácido nas duas enteadas, é de Catanduva. Segundo o diretor executivo Hives Chimello, Daniela trabalhava como promotora de vendas em supermercados da cidade. Um amigo local, também estrangeiro, e que não quis se identificar, afirmou que Daniela era atraente, na época, e que sempre a via acomodando produtos nas prateleiras dos estabelecimentos.

A reportagem localizou o tio de Daniela, em Catanduva, mas não obteve dele a permissão para divulgar suas informações.

Daniela foi condenada a pena máxima, justificada pelo júri pelo fato de que as vítimas “não tiveram absolutamente nenhuma chance contra as ações de Mancini”.

Na Bélgica, o crime, que aconteceu em novembro de 2011, em Kontich, a 40 quilômetros de Bruxelas, ganhou as manchetes dos principais jornais.

Conforme o tribunal da cidade de Antuérpia, Daniela Mancini, na ausência do pai das vítimas, jogou nas meninas, de dois e cinco anos, um ácido utilizado para desentupir banheiros.

A mais nova foi internada com risco de morte, sofreu queimaduras de terceiro grau e terá sequelas irreversíveis. A mais velha sofreu queimaduras de segundo grau e lida com trauma psicológico.

O júri também considerou o ataque premeditado, pelo fato de a brasileira ter transferido o líquido corrosivo para uma garrafa sem rótulo, levá-la ao carro de seu namorado e prender as vítimas com o cinto de segurança antes de pulverizá-las até acabar o produto, conforme foi divulgado na mídia nacional.

“As meninas levarão por toda a vida esta marca abominável, em um mundo cruel onde a aparência tem um papel tão importante. Todos os dias, ao se olharem no espelho, elas se lembrarão de Mancini”, disse a advogada de acusação Alexandra Van Kelst.

O tribunal concluiu que o crime foi motivado também pelo ódio que a brasileira sentia pela ex-mulher de seu namorado. “Seu relacionamento (com o pai das meninas) era sua chance de levar uma vida próspera, mas suas filhas eram uma ameaça”.

O pai das crianças, Axel, conheceu a também ex-modelo Mancini durante uma viagem de trabalho ao Brasil e a convenceu a se mudar para a Bélgica em maio de 2011.

Os advogados de defesa alegaram que, antes de chegar ao país, a brasileira não sabia que ele tinha duas filhas e que ainda não estava divorciado.

Mancini confessou o crime e pediu perdão às meninas e à família, o que segundo fontes extra-oficiais, servirá para atenuar a pena. “Me arrependo do fundo do meu coração. Assumo toda a responsabilidade”, afirmou ela, negando, entretanto, ter premeditado o ataque. Ela alegou que tenha tido um acesso de raiva após uma briga com o namorado.

“Eu aconselhei minha filha a não ir”, diz mãe

Encontrada pela reportagem do Diário, a mãe de Daniela, a cozinheira Nilva Mancini, que trabalha em um dos restaurantes da cidade, disse, com os olhos marejados e a expressão nitidamente cansada, que antes da filha se mudar para o exterior teve um pressentimento ruim e a aconselhou a não ir. “Sou evangélica e tive uma revelação. Na igreja, Deus me mostrou que o diabo lhe preparava um laço e que era pra ela tomar cuidado. Supliquei pra que ela não fosse, mas ela não me ouviu”, contou Nilva, afirmando que a filha nunca demonstrou ser uma pessoa agressiva.

Segundo Nilva, o fato da filha ter confessado e pedido perdão reduziu a pena máxima para 15 anos. “Como ela já cumpriu dois, agora ela terá que cumprir mais 13 na prisão e depois disso deixar a Bélgica imediatamente”, informou.

Desde que Daniela se mudou para o país europeu, mãe e filha costumavam se falar semanalmente, até que as ligações cessaram e, por três semanas, Nilva não teve notícias da filha. A próxima ligação já foi a do ex-namorado belga, contando o acontecido.

Nilva, então, embarcou para a Bélgica, para ver a filha, que já estava presa. Naquele país, ela esteve por cerca de 25 dias, visitando a filha na cadeia. Lá, segundo a cozinheira, Daniela lhe contou que o marido lhe batia. “Eu disse a ela: por que você não me falou o que estava acontecendo? Mas ela não respondeu”.

A mãe acredita que a filha teve um acesso de raiva motivada por ciúmes. “Quando ela saiu daqui eu falei pra ela ter certeza do que estava fazendo, porque ele já tinha duas filhas e ela teria que cuidar delas, mas você sabe como são essas coisas, quando entra o ciúmes [pausa]”, declarou Nilva, com a voz embargada.

Após alguns segundos em silêncio, a mãe acrescentou lamentar muito o caso e que tem sofrido duplamente também devido à morte do filho Adriano Mancini, encontrado morto na linha férrea do bairro Antônio Zácaro.

Segundo ela, o filho usava drogas e era muito ligado à irmã. Ao saber do crime, seu estado piorou. “Acredito que ele ficou ainda mais confuso e aí o acidente aconteceu, na linha do trem, e eu fui reconhecê-lo no IML. Não tem sido fácil a minha vida”.

Nilva concedeu entrevista à reportagem do Diário enquanto estava trabalhando, e pediu para não ser fotografada.

Diário da Região // Adriana Moura
Postar um comentário
  • Blogger Comente usando Blogger
  • Facebook Comente usando Facebook
  • Disqus Comente usando Disqus

Nenhum comentário :


Política

[Politica][bleft]

Cidades

[Cidades][threecolumns]

Esporte

[Esporte][grids]

Geral

[Geral][bsummary]