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Incêndio em Rio Preto destrói tudo, menos a Bíblia

Se as mãos cinzentas não tivessem pego, os olhos jamais acreditariam. Sessenta anos de história haviam sido consumidos pelo fogo. Mas, dentre as lutas e lembranças reduzidas a cinzas, uma Bíblia sobrava intacta. Acima da cabeça do viúvo Cláudio Moreira Gonçalves, agora o céu era o seu teto. Às 6 horas da manhã de ontem um incêndio provocado por um curto circuito obrigou uma família a sair às pressas da casa onde viveu por toda uma vida. Desesperados com as chamas alimentadas pelo forro de madeira do casebre antigo da Vila Ipiranga, um idoso, a filha deficiente mental e a sobrinha com o filho de 8 anos correram apenas com a roupa do corpo.

Em questão de minutos a casa ruiu e foi abaixo. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, era só ruína. Apesar da desconfiança de vizinhos de que pode ter sido um curto circuito provocado pela fiação velha, apenas as investigações da polícia vão apontar o que teria acontecido. Abraçado à filha Claudinha, o idoso contou que antes que o galo cantasse, a vida ainda insistiu em bater em sua porta. Morador da rua Carlos de Carvalho, ele foi acordado por um vizinho que, avistando o fogo na casa, correu em socorro do amigo. Não olhou para trás. Pegou Claudinha no colo e correu. Estava a salvo o seu maior tesouro: o doce sorriso da filha dinheiro nenhum poderia pagar.

Do lado de lá do casebre geminado, um outro milagre acontecia. Lidiane dormia todas as noites com o filho no único quarto da casa. Mas naquela noite cedeu aos apelos da criança e adormeceram juntos na sala, enquanto assistiam um filme. Foi acordada pela mesma pessoa que salvara o tio, mas a tempo de sentir o mormaço do fogo soprar-lhe o rosto. Abraçados na calçada, os familiares assistiram inconsoláveis a casa onde cresceram ruir.

Cláudio Moreira já se acostumara com os golpes da vida. Embora tenha idade de mulher, quem vê Claudinha com seus 32 anos, enxerga uma doce criança. A vida parece fácil quando o pai a abraça. Para Moreira o grande milagre é viver. Hoje faltam-lhe roupas, fraldas, remédios, movéis, casa, teto. Mas jamais há de faltar esperança.

Sentado à calçada na companhia da filha, o idoso era espectador dos novos capítulos da vida. Não faltou quem lhe oferecesse um abraço, um banho ou um prato de comida. Olhava para trás e esforçava- se para não chorar. Não sabia onde iria dormir, nem o que iria comer hoje, amanhã. Naquele instante abraçou a Bíblia resistente à chama, olhou ao redor e ainda encontrou forças para sorrir e dizer: “Amanhã há de ser um novo dia.”

Apoio

Em nota, a Secretaria de Assistência Social informa que as famílias foram visitadas e orientadas pelas equipes de assistentes sociais do Centro de Referência Especial de Assistência Social. O morador Cláudio Moreira Gonçalves e a filha Cláudia Gonçalves foram encaminhados a uma instituição do município, após receberem do Fundo Social de Solidariedade fraldas geriátricas, roupas e calçados.

A equipe do CRAS já solicitou vistoria à Defesa Civil para encaminhar o processo e laudo para reforma da casa. A Secretaria de Saúde também já foi acionada para acompanhar a família nas suas necessidades. Em relação a Lidiane Gonçalves e filho, ela optou pelo acolhimento com vizinhos. Ainda assim será acompanhada.

Fonte: Diário Web
Jean Morelli

Apaixonado por notícias, filmes e séries. Sou blogueiro desde 2011, amante do jornalismo, flamenguista de coração e cajobiense desde sempre.

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