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'Foi uma das maiores fraudes do país', diz procurador sobre licitações feitas nas prefeituras



Foi realizada na tarde desta terça-feira (9), no auditório da Associação do Ministério Público do Estado de São Paulo, em São José do Rio Preto (SP), uma entrevista coletiva com representantes da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo, órgãos responsáveis pela Operação Fratelli, que teve o objetivo de desarticular uma organização criminosa que desviava recursos públicos por meio de fraudes em licitações.

A Operação Nacional contra a Corrupção foi deflagrada pelo Ministério Público, em parceria com diversos órgãos, e deve cumprir mandados de prisão, de busca e apreensão, de bloqueio de bens e de afastamento das funções públicas em pelo menos 12 estados. O desvio de verbas públicas sob investigação ultrapassa R$ 1,1 bilhão.

Segundo o procurador da República Thiago Lacerda Nobre, foram acumuladas mais de 20 mil folhas de documentos de licitações e convênios com fortes indícios de irregularidades. "A quadrilha era altamente articulada e tinha livre acesso em todos os níveis públicos. Posso dizer que esta foi uma das maiores fraudes no Brasil. Esquema muito bem armado, que já vivia por muito tempo e que não tinha mais pudores em fraudar as finanças públicas e desviar recursos", afirma o procurador da República.

Segundo Nobre, as empresas coligadas participavam juntas das licitações, principalmente em obras do Ministério do Turismo e do Ministério de Cidades, como obras em melhorias de asfalto, construção de praças, dentre outras. Como faziam parte do mesmo grupo, elas definiam quem venceria o processo licitatório ou então as empresas que desistiriam durante o processo e, com isso, superfaturar as obras.De acordo com o balanço apresentado pelo delegado Cristiano da Pádua Silva, da Polícia Federal em Jales (SP), pelo promotor de Justiça, João Santa Terra, e pelo procurador da República em Jales (SP), Thiago Lacerda Nobre, foram cumpridos 160 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em Jales e pela Justiça Estadual em Fernandópolis (SP). Além disso, foram apreendidos R$ 250 mil em casas de empresários e ex-prefeitos que estariam envolvidos no esquema, além de 20 armas, algumas até de uso restrito. No total, 13 pessoas foram detidas preventivamente, dentre elas empresários, ex-prefeitos e funcionários públicos.

A Justiça deve ajuizar nos próximos dias as ações criminais e de improbidades administrativas contra os acusados. As pessoas que estão detidas devem seguir presas por cinco dias, o que pode ser prorrogado pelo mesmo período, tudo para não atrapalhar as investigações. "Ninguém foi preterido, o que foi deixado para um segundo momento foram as buscas em algumas empresas. Várias outras empresas serão investigadas. Nós apenas escolhemos quais empresas seriam importantes para a investigação neste momento", afirma o promotor.

As empresas que faziam parte do grupo, segundo as investigações, começaram o esquema por volta do ano de 2008 e participaram de licitações, em que juntas, dariam cerca de R$ 1 bilhão em obras. De acordo com o procurador da República, o cérebro das ações do grupo era no município de Votuporanga, mas atingia cidades de todo o noroeste paulista e outras regiões do Estado de São Paulo. "Há alguns meses atrás percebemos que a quadrilha começava a lançar seus tentáculos para regiões do Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e, possivelmente, até Goiás", afirma o procurador.




Fonte: G1

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